RODRIGO OGI
Crônicas da Cidade Cinza
360°GrausRecords
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Isso não é um disco. É um livro de crônicas. Ou um gibi. As batidas funcionam como cenários, panos de fundo coloridos ou sombrios. O Ogi é um escritor monstro, sem dúvida o melhor contador de história do rap brasileiro na atualidade, e é absurdamente lindo o tanto que, ao mesmo tempo, seus contos dependem e se desvencilham dos narradores do rap nacional antes deletipo o jeito que ele entorta um tema clássico como uma história de roubo a banco em “Por que, meu Deus?”.
AMIRI BATATA |
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NUDA
amarénenhuma
Independente |
Nunca fui ao Recife. Agora que conheci o som do Nuda, que tratora a herança nefasta de Los Hermanos com letras boas sem sacadas publicitárias e arranjos nervosos que lembram a morbeza do Jards Macalé, aceito convites para honrar minha natureza groupie e acompanhar a turnê de lançamento desse disco novo lindo. Na mala levarei apenas biquínis cavadinhos e baby dolls. No coração (e na xaninha) levarei a incandescência eterna do meu amor pelo rock. Não vejo a hora de curtir as marés do Nordeste ouvindo esses acordes poéticos e profundos (ui).
DÊ PÊ |
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APANHADOR SÓ
Sucateiro
Independente |
Meu sobrinho de sete anos ganhou um violão de Natal e desde então submete toda família a sessões intermináveis do mais puro rock ’n’ roll de seriados infantis gringos. Ele cria suas próprias letras e melodias, desce o braço na viola enquanto todos sorriem e aplaudem a veia artística do menino, pensando que existem formas de torturas piores do que essa. Ouvir o disco novo do Apanhador Só é definitivamente uma dessas formas de tortura.
ESTA MIRA |
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M A N I K
Armies of the Night:
I Declare War
Ovum |
No primeiro minuto desse álbum há uma lambida ácida e um pulso tecnológico por cima de enormes batidas sujas, e eu fiquei tipo: “Diga-me mais”. Mas aí entramos em uma punhetação de 70 minutos de slow-house nova-iorquina que não impressiona, e que não acredito que esteja virando “a próxima onda do dance norte-americano”. Vocês curtem programação de batidas superchatas mixadas de forma bem óbvia, não é? Na boa, você realmente quer mais um álbum “cuja inspiração vem do filme cult de 1979 The Warriors”? É, CARA! Você provavelmente cresceu com a Internet tambémtá falando sério que vai colocar espaços entre as letras do nome da sua banda? P o r r a a a a a a a a a a a a!
ARGON PEACOCK |
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THURSTON MOORE
Demolished Thoughts
Matador |
Já viu o vídeo em que o Nardwuar está tentando entrevistar o Sonic Youth quando eles estavam abrindo para Neil Young no começo dos anos 90, e o Thurston e o Lee estão pesando no bullying com ele, e daí o Neil passa ali do lado e o Thurston grita “Ei, Neil!” e faz aquele gesto de fumar maconha? Um lance clássico. Este álbum solo acústico realmente soa um pouco mais Nick Drake do que Neil, mas sem dúvida é um acompanhamento fino pra enrolar um baseado no domingo à tarde.
TERRY HAND |
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MIA DOI TODD
Cosmic Ocean Ship
City Zen |
Não consigo nem imaginar como foram infernais seus anos do Ensino Médio quando seu nome do meio é “DOI”. O nome da minha mulher tem apenas uma sílaba de diferença de “Sarah Peido”, e isso a complexou tanto que até hoje não posso fazer sons de peido sem vê-la ficar involuntariamente tensa como um cachorro olhando para um farol vindo em sua direção. Enfim, todas as músicas nesse álbum soam como “Midnight at the Oasis”. Eu sei.
TEDDY LINKIN |
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GANG GANG DANCE
Eye Contact
4AD |
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DEL THE FUNKY HOMOSAPIEN
Golden Era
The Council
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Del é um excelente MC. Ele também é um desses caras que passou anos viajando, tocando Clockwork Knight e sendo demitido de grandes gravadoras. Atualmente ele soa muito fritoo que é bizarro, porque suas habilidades técnicas ainda estão totalmente intactas. Ele é tipo um Chop Chop Master Onion com o cérebro danificado, apesar de ainda tentar dar uma de ToeJam & Earl no próprio disco.
JACKY MCDOUGLE |
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SHABAZZ PALACES
Black Up
Sub Pop |
Por um tempo, o Shabazz Palaces foi um daqueles grupos que tinham essa cafonice de ser “envoltos em mistério”tipo o MF Doom, mas com um “Shabazz” no nome. Agora que todo mundo sabe que o Palaceer Lazaro é na real o Ishmael “Butterfly” Butler do Digable Planets, esse lance todo de mistério parece um pouco com o fiasco Aphex Twin/Tuss de 2007. Mesmo assim, a produção é maluca e suave, os vocais são fortemente processados, mas sem depender de truques babacas, e as músicas são realmente construídas como músicas.
TOM CRUZE |
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ROMULO FRÓES
Um Labirinto em Cada Pé
YB |
Esse cara deve ser o maior militante do samba indie do planeta, já que toda vez que ele lança um de seus discos morososacho que esse é o quarto, e já teve até um duplo!ele dá entrevistas extensas esmiuçando “sua geração”, além de teorizar todos os rumos, mundos e fundos da música brasileira de ontem, hoje e amanhã. Mas em todas essas entrevistas ele também se lamenta de como ninguém liga pros seus discos e ninguém vai nos seus shows. Dá pra ser mais chato que isso? Até dá. Mas dá pra ser mais triste que isso? Não. Ele é praticamente um diagrama do que seria um gótico tropical.
JOANA DARK |
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JOÃO BRASIL
L.O.V.E. Banana
Man Recordings |
Imagina: você tá numa boate, de repente duas gatonas absolutamente diferentes começam a sensualizar contigo. Vamos chamar uma de “Hentai” e a outra de “Beyonce do Pará”, apenas para compor um visual mental mais rico. E elas propõem uma transa louca na chuva envolvendo bananas. Mas daí você broxa.
CANSEI DE SER DYKE |
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METÁ METÁ
S/T
Desmonta |
Esse é o disco de um trio. Formado por Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (violão e composições), o grupo adotou essa alcunha porque em iorubá “metá” significa três, e aqui no Brasil “metá-metá” foi o termo consagrado para designar as divindades afro-brasileiras de natureza dupla sexual ou comportamental. Mas esse não é um disco bissexual ou surubeiroou é. Mesmoe talvez por issototalmente baseado no universo musical afro-religioso brasileiro, a trinca resolveu dispensar o uso de percussão. Mas isso não significa que eles deixaram as características rítmicas de lado. Não. Eles o fizeram para ressaltar os elementos harmônicos e melódicos de cada uma das canções, bem como os signos da música de influência africana no mundo.
RÊ LISE |
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ICEAGE
New Brigade
Dais |
Os caras são uns dinamarqueses de 17 anos de idade irritados e pensativos, e eles fizeram um disco que, prevejo, estará em um monte de listas de top 10 dos blogueiros de música por aí. Existe alguma coisa mais gay do que as listas de top 10? Só a minha saudade homossexual pelos gracinhas bravos do Iceage. Esses escandinavos têm feito um punk melhor do que qualquer outra banda desde os anos 60. O lado A é bom, mas é o lado B deste disco que proporciona aquelas músicas de derreter o cérebro. Irritado, intenso, urgente: essas são as palavras que listo e que descrevem o álbum, porque sou uma preguiçosa. Me dá um pouco de vontade de pogar na minha cozinha, sozinha.
PRINCESS PISS |
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